Publicado por: Ricardo Anderáos | 20/02/2012

De Olho no Óleo

A descoberta das imensas reservas de óleo e gás no pré-sal da bacia de Santos deposita grande responsabilidade sobre todos nós. Os governantes, as empresas e a sociedade civil precisam urgentemente condicionar a exploração dessas riquezas à uma profunda responsabilidade social e ambiental. E não são apenas os vazamentos de óleo do pré-sal, como o do campo Carioca Nordeste em 30 de janeiro de 2012, que nos ameaçam. O mau uso dos bilionários royalties do petróleo pelos políticos locais, a falta de planejamento e de políticas públicas negociadas com a sociedade, podem transformar o litoral norte paulista em uma imensa favela.

Com a postura madura de quem não quer apenas protestar diante dos impactos do crescimento econômico, mas trabalhar para a construção de um Brasil mais sustentável e justo, há quatro anos o Colegiado das Entidades Ambientalistas do Litoral Norte (ReaLNorte) vem mantendo um diálogo com a Petrobras. O pioneirismo da iniciativa é compartilhado com a própria empresa petrolífera, que vem investindo tempo, recursos humanos e financeiros nesse diálogo, e com a Universidade Católica de Santos, que atua como mediadora desse processo.

Nessa mesa de diálogo, mais de uma vez, os ambientalistas convenceram a petroleira a alterar importantes aspectos da obra do gasoduto de Mexilhão para minimizar seus impactos sociais e ambientais. Desse diálogo nasceu ainda o Centro de Experimentação em Desenvolvimento Sustentável (Ceds), que vem materializando ações e projetos que buscam garantir o desenvolvimento com sustentabilidade para nossa região.

Apesar de todas essas conquistas, entretanto, o ReaLNorte continua profundamente insatisfeito em sua relação com a Petrobras. Ainda que, teoricamente, sejamos parceiros privilegiados da empresa, muitas vezes somos surpreendidos por notícias veiculadas na imprensa sobre ampliações ou alterações de seus projetos, todos com profundos impactos sócio-ambientais na região. Frustradas ainda pelas questões não respondidas na mesa de diálogo, e assustadas pelos seguidos acidentes na exploração do pré-sal no início de 2012, as ONGs reunidas no ReaLNorte decidiram dividir com a sociedade brasileira suas preocupações e as perguntas que continuam sem resposta.

De Olho no Óleo é o resultado de nosso esforço para levantar informações e cobrar não apenas da Petrobras, mas de todas as empresas que começam a explorar as riquezas do pré-sal, a mais ampla transparência e responsabilidade sócio-ambiental em seus empreendimentos.

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